Declaração da Survival International sobre a tentativa de contato com o povo indígena isolado Sentinelese

2 abril 2025

© Christian Caron – Creative Commons A-NC-SA

Indígenas Sentinelese, Ilha Sentinela do Norte, Índia.

São “profundamente perturbadores” os relatos de que um cidadão norte-americano tentou fazer contato com o povo indígena isolado Sentinelese, após desembarcar na Ilha Sentinela do Norte, no Oceano Índico, disse hoje a diretora da Survival International, Caroline Pearce. 

“Não dá para acreditar que alguém possa ser tão imprudente e ignorante. As ações dessa pessoa não apenas colocam em risco sua própria vida, mas também a vida de todo o povo Sentinelese. Já é de conhecimento geral que povos indígenas isolados não possuem imunidade a doenças comuns, como a gripe ou o sarampo, que podem causar o genocídio de um povo."

“Por anos, os Sentinelese têm deixado extremamente claro sua vontade de não contato com pessoas de fora - tenho certeza de que muitos se lembram do incidente de 2018 em que o missionário americano, John Allen Chau, foi morto depois de desembarcar na ilha para tentar converter os indígenas ao cristianismo."

“É uma boa notícia que o homem deste último incidente tenha sido preso, mas é extremamente preocupante que ele tenha conseguido desembarcar na ilha. As autoridades do governo da Índia têm a responsabilidade legal de garantir que o território dos Sentinelense seja protegido contra missionários, influenciadores de redes sociais, pessoas que pescam ilegalmente em suas águas e qualquer outra pessoa que possa tentar fazer contato com eles."

“Povos indígenas isolados por todo o mundo estão sofrendo as consequências das invasões em suas terras em uma escala chocante. Inúmeros territórios de povos indígenas isolados na Amazônia estão sendo invadidos por madeireiros e garimpeiros ilegais. Os Shompen, que vivem na ilha de Grande Nicobar, não muito longe da Ilha Sentinela do Norte, poderão ser dizimados se a Índia levar adiante seu plano de transformar a ilha dos Shompen, na ‘Dubai da Índia’. O fator comum em todos esses casos é a falta de responsabilidade dos governos em fazer cumprir a lei internacional, reconhecendo e protegendo os territórios de povos indígenas isolados.”

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